=
ELEIÇÕES
2010
=
Nós,
Bispos
católicos
das
oito
Dioceses
do
Piauí,
que
formam
o
Regional
Nordeste
IV
da
CNBB,
reunidos
em
Teresina,
na
Assembléia
Regional
de
Pastoral,
nos
dirigimos
às
nossas
comunidades
e a
todos
as
pessoas
de
boa
vontade,
oferecendo-lhes
a
nossa
contribuição,
neste
momento
de
especial
importância
para
a
vida
de
nosso
Povo,
representado
pelas
Eleições.
Fazemos
este
pronunciamento,
conscientes
da
importância
da
participação
política
dos
cristãos
na
vida
social,
como
“sal
da
terra”
e
“luz
do
mundo”,
fiéis
à
missão
profética
da
Igreja
que
é
evangelizar
contribuindo
para
a
construção
de
uma
sociedade
fraterna,
justa
e
solidária,
a
caminho
do
Reino
definitivo.
O
processo
político-eleitoral
constitui
uma
ocasião
de
grande
importância
para
o
exercício
consciente
da
cidadania
e da
co-responsabilidade
nos
destinos
do
Estado
e do
País.
O
papel
do
eleitor
vai
muito
além
do
momento
da
votação;
começa
antes,
através
do
conhecimento
dos
candidatos,
de
sua
vida
e
atuação,
de
suas
propostas
políticas
e de
suas
posturas
durante
a
campanha
eleitoral;
continua
após,
exigindo
o
acompanhamento
da
atuação
dos
eleitos
para
que
os
compromissos
de
campanha
sejam
cumpridos.
Há
um
clamor
cada
vez
maior
pela
ética
na
Política,
demonstrado
por
diversos
segmentos
da
população
e
por
diversas
iniciativas
da
sociedade,
como
demonstra
a
lei
denominada
“Ficha
Limpa”,
fruto
de
recente
mobilização
popular.
Para
a
devida
valorização
da
Política
e a
credibilidade
dos
políticos,
é
preciso
uma
mudança
de
mentalidade
e
prática,
de
modo
que
a
atuação
política
seja
pautada
por
princípios
e
valores
éticos
fundamentais.
À
luz
da
ética
cristã,
fundamentados
na
Palavra
de
Deus
e no
ensinamento
da
Igreja,
queremos
apresentar
alguns
critérios
fundamentais
para
orientar
a
reflexão
e a
ação
de
eleitores
e
candidatos,
neste
processo
político-eleitoral:
a) Os
candidatos
e
suas
propostas
políticas
devem
defender
e
promover
da
vida,
desde
a
concepção
até
o
seu
fim
natural.
Assim,
não
se
pode
aceitar
leis
ou
outras
iniciativas
políticas
que
atentem
contra
a
vida,
a
dignidade
humana
e a
família,
principalmente,
a
legalização
do
aborto
e da
eutanásia.
b) Governar
é
promover
o
bem
comum,
atuando
em
favor
dos
mais
pobres.
Os
candidatos
e
seus
partidos
devem
se
empenhar
em
assegurar
condições
de
vida
digna
à
população,
com
saúde,
educação,
moradia,
trabalho,
promovendo
a
justiça
social
e a
solidariedade.
Os
interesses
do
povo
devem
estar
acima
dos
interesses
particulares
ou
de
grupos
partidários.
O
bom
candidato,
independentemente
do
seu
poder
econômico,
é
aquela
pessoa
comprometida
com
as
causas
e
anseios
do
povo,
que
não
trabalha
para
o
próprio
interesse,
tendo
em
vista
as
eleições,
e
não
vive
trocando
de
partido,
conforme
sua
conveniência.
c) Para
votar
bem,
é
preciso
considerar
atentamente
o
comportamento
ético
dos
candidatos,
considerando
como
qualidades
indispensáveis:
a
honestidade,
a
competência,
a
transparência
e a
vontade
de
servir
ao
bem
comum,
comprovada
por
seu
histórico
de
vida.
O
homem
público
deve
ter
idoneidade
moral.
É
preciso
conhecer
bem
os
candidatos
e
suas
propostas
de
atuação
política,
não
somente
pela
propaganda
política,
que
pode
ocultar
o
que
não
corresponde
aos
seus
interesses.
Candidatos
com
um
histórico
de
corrupção
ou
má
gestão
dos
recursos
públicos
não
devem
receber
apoio
nas
Eleições.
d) Voto
não
tem
preço;
tem
conseqüências.
Voto
não
é
mercadoria;
por
isso,
não
pode
ser
trocado,
vendido
ou
comprado.
É
preciso
estar
atento
ao
problema
da
corrupção
eleitoral,
que
deve
ser
denunciada.
Não
se
pode
aceitar
abusos
de
poder
econômico
ou
político
na
campanha
eleitoral,
tais
como,
compra
de
votos,
troca
de
favores,
uso
indevido
da
máquina
administrativa
e
gastos
excessivos
com
propaganda
política.
Além
do
respeito
ao
eleitor,
é
necessário
o
respeito
mútuo
entre
os
candidatos,
excluindo-se
a
polêmica
ofensiva
e os
ataques
pessoais,
pois
adversários
políticos
não
devem
ser
tratados
como
inimigos.
Queremos
também
reafirmar
a
posição,
diversas
vezes
manifestada
pela
Igreja,
a
respeito
das
posturas
dos
sacerdotes
e
das
comunidades
católicas
diante
da
política
partidária.
Tendo
presente
que
a
missão
da
Igreja
é
evangelizadora
e de
caráter
eminentemente
pastoral,
“ela
não
concorda
com
a
militância
político-partidária
de
membros
do
clero
ou
de
religiosos”.
(CNBB
25/5,
Puebla
524).
“O
vasto
e
complexo
mundo
da
política,
da
realidade
social
e da
economia
é
campo
próprio
dos
leigos'
(EV,
70)
e “a
missão
do
presbítero
tem
algo
de
específico,
na
sua
configuração
com
Cristo
Pastor,
que
não
se
coaduna
com
a
partidarização
política”
(CNBB
75,
41).
Por
isso,
segundo
o
Código
de
Direito
Canônico,
“os
clérigos
são
proibidos
de
assumir
cargos
públicos
que
implicam
participação
no
exercício
do
poder
civil”
(cân.
285
§ 3;
cân.
287
§
2).
Assim
sendo,
os
membros
do
clero
que
se
candidatarem
a
cargos
eletivos
deixarão
o
seu
ofício
eclesiástico
e
estarão
sujeitos
à
suspensão
do
uso
de
ordem,
durante
a
campanha
eleitoral
e no
exercício
de
um
eventual
mandato.
Além
disso,
é
importante
recordar
que
os
membros
do
clero,
as
comunidades
católicas,
pastorais
e
movimentos
eclesiais
não
devem
assumir
posturas
político-partidárias,
não
permitindo
o
uso
das
celebrações
e
outras
atividades
pastorais
com
fins
eleitoreiros.
Na
esperança
de
colaborar
para
o
voto
consciente,
livre
e
responsável,
bem
como,
para
uma
digna
atuação
dos
candidatos
e
eleitos,
suplicamos
a
Deus
para
iluminar
e
abençoar
a
todos,
eleitores
e
candidatos,
nas
Eleições
deste
ano,
para
o
bem
do
povo
piauiense
e de
todos
os
brasileiros.
Teresina,
18
de
julho
de
2010.
Dom
Sergio
da
Rocha
Arcebispo
de
Teresina
Dom
Miguel
Fenelon
Câmara
Filho
Arcebispo
Emérito
de
Teresina
Dom
Alfredo
Schaffler
Bispo
de
Parnaíba
Dom
Eduardo
Zielski
Bispo
de
Campo
Maior
Dom
Juarez
de
Sousa
Bispo
de
Oeiras
Dom
Pedro
Brito
Guimarães
Bispo
de
São
Raimundo
Nonato
Dom
Plínio
José
Luz
da
Silva
Bispo
de
Picos
Dom
Ramon
Lopes
Carrozas
Bispo
de
Bom
Jesus
Dom
Valdemir
Ferreira
dos
Santos
Bispo
de
Floriano