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     06/07/2009
      Núcleo Diocesano de Comunicação - NDC
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Dom Pedro destaca história e características do Timor Leste

             Recentemente, Dom Pedro Brito Guimarães, bispo de São Raimundo Nonato realizou uma viagem missionária de 15 dias ao Timor Leste. O objetivo foi acompanhar o trabalho missionário desenvolvido por sete Irmãs brasileiras que trabalham naquele país. Durante esses dias de visita, Dom Pedro acompanhou de perto, as atividades desenvolvidas pelas religiosas e fez uma avaliação daquilo que foi proposto a cada uma delas. Este projeto de cooperação missionária começou no ano de 2000 e terminará no próximo ano, com possibilidade de renovação, talvez com um outro formato.

            Segundo Dom Pedro, o Timor Leste foi descoberto em 1512 e nasceu quase ao mesmo tempo em que o Brasil. Assim como em nosso país, lá também já existia uma população nativa. Os portugueses habitaram aquele território de 1512 a 1515, mas apenas em 1850, quase 500 anos da presença portuguesa é que foi fundado o 1º colégio, até então ninguém havia estudado. A partir desse período, nasceu a necessidade de uma língua com regras gramaticais, mas até hoje, uma palavra serve para explicar muitas coisas. A língua não possui uma estrutura moderna e o país conta com 26 dialetos. Mesmo com a dominação portuguesa não existe na população local traços característicos dos lusitanos, são todos quase iguais do ponto de vista da cor e dos traços bio-fisicos.

            De acordo com ele, em 1975, três dias após sua independência de Portugal, que aconteceu de maneira consensual, a Indonésia invadiu o país. A partir de então, impôs a sua língua, dividiu a cultura da população, protegeu um grupo e criou uma divisão entre eles, que ainda hoje é muito sentida. A ilha (país), foi “dividida” em duas partes, de um lado o Timor Leste e do outro Timor Oeste que hoje é da Indonésia. A dominação da Indonésia durou até 1998 quando foi realizado um plebiscito, que desagradou muito aos indonésios. Nessa época eles queimaram praticamente todo o país. Os helicópteros sobrevoaram as regiões jogando gasolina e ateando fogo nas casas.  Por isso o título de um livro de uma jornalista brasileira: “Queimado, queimado, mas agora nosso!”

            Na fuga, muitas pessoas idosas, crianças e deficientes físicos ficaram para trás e morreram. Foi uma situação terrível e hoje eles contam isso com magoas, muitos ainda têm trauma disso. Nesse ato, eles (indonésios) mataram 400 mil pessoas, mas muitos fugiram para as montanhas e ficaram escondidos por 5 anos. Diante de toda essa barbárie, os timorenses ficaram desprotegidos e o restou do mundo demorou a saber do acontecimento, pois a Indonésia não divulgou. Algumas notícias chegaram bem depois, através de alguns guerrilheiros que se organizaram, (dentre eles Xanana Gusmão, líder guerrilheiro, que mais tarde foi presidente). A partir de então, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou, e eles tiveram que deixar o país. O Brasil foi um dos participantes da força internacional de paz, chefiada por Sérgio Vieira de Melo, que já morreu numa emboscada no Iraque. Hoje a presença da ONU é marcante.

            Ainda de acordo com a narrativa de Dom Pedro Brito, 2006 foi realizada uma eleição, o lado derrotado não se conformou com o resultado e houve uma grande rebelião entre os timorenses, então, as casas foram requeimadas ou queimadas novamente. Tudo isso tem repercussão na vida do país, pois, o mesmo é muito pobre e ao mesmo tempo muito rico, pois possui petróleo, gás natural, vários biomas, uma vegetação bonita e terra é fértil.

            Conforme já publicamos em matérias anteriores, a respeito da viagem missionária de Dom Pedro, o Timor Leste é uma ilha. De um lado fica o oceano Indico e do outro o Pacífico. Atualmente e um país em reconstrução, não tem identidade de língua, cultura, mas com muita religiosidade.

            A viagem de Dom Pedro durou 15 dias. Ele foi acompanhado dos padres Daniel (Pontifícias Obras Missionárias), e Altevir (Secretário da Comissão Missionária). Conforme citamos a cima, o objetivo foi avaliar o projeto que a Igreja do Brasil desenvolve há 10 anos naquele país (teve início em 2000 e será finalizado em 2010). Lá os religiosos se encontram com as missionárias, o povo, a Igreja, bispos e padres.

As irmãs estão presentes em dois lugares (Laleia e Laclubar), onde cuidam da escola, ensinam Português e outros fazem outros serviços pastorais. A Pastoral da Criança é o ponto forte: são mais de 6.000 crianças assistidas. Ainda é pouco para o tanto de crianças que existe lá. Apesar da presença dos brasileiros (as) o regime adotado com as crianças / alunos é muito duro, eles chegam a bater nelas, quando se atrasam. Outro ponto impressionante a ser destacado é o castigo imposto aos alunos que se atrasam. Quando chegam atrasado, eles são obrigados a se ajoelharem e irem até a sala de aula. Dom Pedro presenciou esse tipo de castigo de perto. Muitos moram distante da escola e precisam andar até 10km descendo e subindo montanhas. A qualidade do ensino oferecido a essas crianças é ruim, os professores são poucos e sem qualificação, alguns não sabem o português é a escola tem que ensinar.

            Algumas missionárias são professoras e fazem o que podem. Lá trabalho é muito complicado, pois a população local possui um ritmo de vida diferente do nosso, para se ter uma idéia, eles não possuem relógio e se orientam pelo sol. A cultura ainda é muito primitiva. Lá existem coisas do 5º mundo e também do 1º mundo. Quase todos os jovens possuem celulares, mas não tem telefone fixo nas residências e nem energia elétrica, durante o dia (no resto do país só tem energia das seis da tarde às seis da manhã), a não ser na capital. Resumindo: a energia elétrica é um caso a parte, existe apenas na capital, apenas celular funciona (em alguns pontos), internet e televisão só na capital.

Os timorenses possuem uma visão de autoridade muito forte e é um povo muito ritualista. Do ponto de vista da urbanização, as cidades não possuem e as casas são construídas em qualquer lugar.

Por isso, a experiência foi muito rica. Valeu.

Confira fotos da viagem missionária de Dom Pedro ao Timor Leste

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Paisagens do Timor Leste

 
       
 

Dom Pedro, religiosos, e alguns locais visitados

 
       
 

Como vivem os Timorenses

 
     
 

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