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MEMORIAL DA DIOCESE E DAS PARÓQUIAS DE SÃO RAIMUNDO NONATO
A) BREVE HISTÓRICO DA PRELAZIA DE BOM JESUS
E SÃO RAIMUNDO NONATO
1. DIVISÃO ECLESIÁSTICA DO PIAUÍ
A Igreja se abria para um campo de missão bem maior com o
pontificado de S.S. Bento XV. No início do século, em 1901, o
Piauí tornava-se independente do Maranhão e passava a ser uma
Província Eclesiástica, pela Bula “Supremum Catholicum
Ecclesiam”, emitida a 10 de março de 1901. O primeiro
bispo eleito para a nova Província Eclesiástica foi o Mons.
Fabrício de Araújo Pereira que não aceitou o cargo, ficando
administrada por um Administrador Apostólico até 1906, quando
foi nomeado dom Joaquim Antônio de Almeida, até 1910. O seu
sucessor foi dom Otaviano Albuquerque que inicia o seu mandato
visitando as comunidades do sul do Piauí, em desobriga, tarefa
árdua que o fez sentir a necessidade de dividir a Província e
criar outras dioceses.
Em uma Carta Pastoral datada de 9 de outubro de 1920, escreve o bispo: “Por
isso, resolvemos desde logo expor os nossos escrúpulos à Santa
Sé, pedindo-lhe que houvesse por bem livrar-nos de uma parte
de nossas responsabilidades, pela criação a favor daquele
vasto território de uma Prelazia, que entregue a um Instituto
Religioso, pudesse mais facilmente acudir as necessidades
espirituais dele”.
A 18 de julho de 1920, pressionado pelo Núncio Apostólico do
Rio de Janeiro, a Santa Sé emite a Bula “Ecclesiae
Universae”, criando a nova Prelazia, com o nome de
Prelazia de Bom Jesus do Gurguéia.
2. CONVITE AOS MERCEDÁRIOS
Dom Otaviano, atendendo solicitação da Santa Sé, convidou os
Padres Capuchinhos e a Congregação do Imaculado Coração de
Maria, por já terem atuado, como missionários, no sul do
Piauí. Por vários motivos, as respostas a este convite foram
negativas.
Em Roma, os Mercedários celebravam o Capítulo Geral e na
ocasião foi eleito Mestre Geral o padre Inocêncio López
Santamaría, amigo íntimo do Santo Padre Bento XV, terciário
mercedário. Numa conversa particular, o padre Geral da Ordem
pediu ao Papa para abrir uma missão na China. Então o Santo
Padre expôs a dificuldade de encontrar missionários para o sul
do Piauí, para a nova Prelazia. O padre Geral entendeu o
convite e consultou os capitulares ainda em Roma.
Depois de regressar a Madri, em 12 de julho de 1921, o padre
Inocêncio López comunicou à Santa Sé que aceita a proposta da
Prelazia de Bom Jesus do Gurguéia e indica para Administrador
Apostólico o padre Pedro Pascual Miguel Martinez, da Província
de Castela, no momento, Provincial do México.
Num manuscrito, dom Inocêncio relata o que o Papa disse a
dom Pedro Pascual: “O Senhor pensava morrer no México, mas
vai ser no Brasil”. Não foi nem no México nem no Brasil,
pois faleceu na Espanha.
3. CHEGADA DO ADMINISTRADOR APOSTÓLICO
O padre Pedro Pascual Miguel Martinez, depois de receber as
instruções do Papa Bento XV e as normas do Geral da Ordem
Mercedária, empreendeu viagem para o Brasil. Passando pela
Espanha, a ele se juntou o jovem entusiasta padre Francisco
Freiria, também da Província de Castela. De passagem pelo Rio
de Janeiro, se apresentam ao Núncio Apostólico, dom Henrique
Gasparri e se dirigem ao Nordeste.
Instalou-se
em São Raimundo Nonato, em julho de 1922, depois de longa e penosa viagem.
4. DOM PEDRO PASCUAL MIGUEL MARTÍNEZ, PRIMEIRO BISPO PRELADO
Dom Pedro nasceu em 1870, na Província de Burgos, na Espanha.
Em 1887 ingressou na Ordem Mercedária, ordenando-se sacerdote
cinco anos depois. Tendo exercido o cargo de Superior em
algumas casas da Província de Castela, na Espanha, foi
destinado ao México para restaurar aquelas comunidades
mercedárias. Tinha 51 anos quando recebeu a missão de
administrar a Prelazia de Bom Jesus do Gurguéia. Trouxe como
secretário o padre Francisco Freiria Mallo. Os dois partiram
da Espanha, em meados de janeiro de 1922, com destino ao Rio
de Janeiro, a fim de se encontrarem com o Núncio Apostólico,
dom Henrique Gasparri. De lá, se dirigem para o Nordeste num
navio do Loide Nacional, desembarcando em Tutóia, no delta do
Parnaíba.
A viagem do Rio de Janeiro para São Raimundo Nonato foi uma
odisséia tanto pela demora, como pelos sofrimentos, devido os
transportes. Depois de navio a vapor pelo rio Parnaíba, e de
burro, a partir de Floriano, onde aguardava os missionários, o
vigário de São Raimundo Nonato, padre Marcos Francisco de
Carvalho. O trajeto de
380
quilômetros de Floriano a São Raimundo Nonato foi feito em 25 dias. O
padre Pedro dá o nome a esta viagem de “calvário verdadeiro”.
5. POR QUE SÃO RAIMUNDO NONATO E NÃO BOM JESUS A SEDE DA
PRELAZIA?
Deixemos que o próprio dom Pedro nos dê a resposta. “São
Raimundo é apenas a sede-provisória, pois atendendo à
dificuldade de comunicação, e sendo aquela localidade a
única que possui estação telegráfica, pedi permissão à Santa
Sé para instalar ali minha jurisdição eclesiástica, a
fim de, com mais facilidade, me comunicar com a Exma.
Nunciatura Apostólica e o Vaticano. Essa medida era
indispensável a boa instalação da Prelazia, para
dotá-la de recursos e meios necessários ao seu fim”.
Num artigo enviado a Revista
La Merced5 , escreve: “Vim para São Raimundo porque as outras vilas não têm casa
para o bispo e nem sequer igreja. Aqui temos uma pequena casa
e uma igreja, embora humildes e desprovidas de tudo. Mas,
enfim, existe uma população de 2.500 habitantes, e funciona o
telégrafo e o correio três vezes por mês”. No documento
oficial da tomada de posse ficou registrado: (“...) que o
fazia devidamente autorizado por seu superior hierárquico,
ficando desta maneira esta freguesia como sede provisória”.
Dom Pedro Pascual foi nomeado o primeiro desta Prelazia a 18
de dezembro de 1924, com o título de Agatópolis. No dia 25 de
julho de 1925 foi ordenado bispo, em Madri, Espanha, para onde
tinha ido para submeter-se a uma operação de próstata, da qual
veio a falecer em Barcelona a 5 de maio de 1926.
6. SEDE VACANTE
Durante a ausência de dom Pedro, e após a sua morte, ficou
como Administrador Apostólico o padre Mariano Ferrer, que
também teve que viajar para a Espanha, ficando o padre
Francisco Freiria Mallo como suplente.
7. DOM RAMÓN VICENTE HÁRRISON ABELLO, SEGUNDO BISPO PRELADO
No dia 10 de novembro de
1926 a Santa
Sé preenche sede vacante com a nomeação do segundo bispo da
Prelazia, dom Ramón Vicente Hárrison Abello, com o título de
Podália. Nascido em Concepción, Chile, a 27 de fevereiro de
1887, foi sagrado bispo em Santiago do Chile a primeiro de
maio de 1927, e tomou posse no dia 2 de outubro do mesmo ano.
Nem mesmo chegou a conhecer a sede da
Prelazia, pois, enfermo retirou-se para sua terra. Faleceu em Concepción, Chile, no dia 9 de agosto de 1949.
8. SEDE VACANTE
Com a renúncia de dom Hárrison fica novamente vacante a
Prelazia. Quem assumiu a administração, de 1926 até 1930, foi
o padre Pedro Mercedes Sánchez, mercedário peruano.
9. DOM INOCÊNCIO LÓPEZ SANTAMARIA, TERCEIRO BISPO PRELADO
No dia 31 de agosto de 1930 era ordenado bispo como terceiro
bispo Prelado, dom Inocêncio López Santamaría, com o título de
Trebenna. Devido a situação política da época, não podia
entrar no País. Porém, a influência do Senhor Cardeal do Rio
de Janeiro, dom Leme, facilitou a sua vinda para o Brasil,
chegando aqui em principio de 1931 e tomando posse
em São Raimundo Nonato no dia 18 de fevereiro do mesmo ano.
Dom Inocêncio nasceu na Espanha, na pequena cidade de
Sotovellanos, Burgos, a 28 de dezembro de 1874. Ocupou todos
os escalões da hierarquia na Ordem de Nossa Senhora das
Mercês. E sendo Mestre Geral, em Roma, intermediou a vinda dos
mercedários para a missão do Piauí.
Durante 27 anos de pastoreio nesta Prelazia a ele
encomendada, trabalhou com todo o zelo apostólico nas
freqüentes visitas a todas as paróquias da Prelazia, sem medir
esforço. Uma das grandes preocupações deste santo bispo foi a
formação do clero autóctone, ordenando figuras de relevo como
nossos saudosos padre Nestor Dias Lima, padre Sólon Pinto de
Aragão, padre Raimundo Dias Negreiros, e o Padre Raimundo
Araújo (padre Dico), todos de feliz recordação. Ordenou ainda
o padre Manoel Lira Parente, que hoje reside na cidade que
leva o nome deste digníssimo bispo.
Dom Inocêncio foi o grande motivador e impulsionador da
fundação da Congregação das Irmãs Mercedárias Missionárias do
Brasil, fundada em primeiro de agosto de 1938 pela Madre Lúcia
Etchepare, sob a proteção de Santa Teresinha do Menino Jesus e
de São Raimundo Nonato. Num Livro de Memória, disse
textualmente: “... estas religiosas têm sido para nós uma
bênção do céu, pois desde aquele ano muitas jovens já se
formaram em suas casas “.
Dom Inocêncio deu grande incentivo à educação e apoiou a
criação do Ginásio
em São
Raimundo, que depois receberia seu nome e que foi um marco na
cultura da região.
Já muito cansado dos trabalhos apostólicos, Roma concedeu-lhe
um auxiliar na pessoa de Dom José Vázquez Díaz.
Dom Inocêncio faleceu santamente no Hospital Espanhol de
Salvador, Bahia, no dia 9 de março de 1958 e foi sepultado na
Catedral de São Raimundo Nonato.
10. DOM JOSÉ VÁZQUEZ DÍAZ, BISPO AUXILIAR E QUARTO BISPO
PRELADO
Dom José nasceu na pequena cidade de Chavaga, Província de
Lugo, Espanha, no dia 20 de novembro de 1913. Ocupou diversos
cargos na Província mercedária de Castela e foi ordenado bispo
auxiliar de Dom Inocêncio no dia 9 de setembro de 1956 com o
título de Usula. O padre Carlos Martinez Esteban foi delegado
para tomar posse na Catedral de São Raimundo, pois o bispo
eleito estava de viagem a Porto Rico, atrás de recursos para
organizar a Prelazia, como assim o fez na Festa da Imaculada
Conceição, dia 8 de dezembro de 1956.
Dom José chegou a São Raimundo Nonato no mês de março,
impondo a condição de morar na sede da Prelazia, Bom Jesus do
Gurguéia. Concedida a autorização, transferiu-se para a dita
cidade e, com o falecimento de dom Inocêncio, o sucede como
quarto Prelado. Transferiu definitivamente para Bom Jesus a
sede da Prelazia no ano 1958.
11. SÃO
RAIMUNDO NONATO, A NOVA PRELAZIA
Dom José,
vendo as realidades contrastantes destes dois lugares, sente a
necessidade de requerer de Roma a divisão da Prelazia em duas.
É o lema da estratégia romana “divide e vencerás”. E no dia 5
de janeiro de 1959 escreve uma carta à Sagrada Congregação
Consistorial do Vaticano expondo todas as razões para que se
efetue a divisão. Convencida a Santa Sé, decide-se pela
divisão, autorizando-a pela Bula Papal de João XXIII “CUM
VENERABILIS”, de 17 de dezembro de 1960.
Efetuou-se
a divisão com a leitura da Bula na Catedral de São Raimundo
Nonato numa celebração solene, perante as autoridades: dom
Armando Lombardi, representado pelo Senhor Arcebispo de
Teresina, Dom Avelar Brandão Vilela, e os bispos do Piauí, dom
Edilberto Dinkeiborg, bispo de Oeiras, e dom José Vázquez Díaz,
bispo da outra prelazia, no dia 19 de dezembro de 1961.
Assistiram a este evento grande número de fiéis.
12. DOM
AMADEO GONZÁLEZ FERREIROS, PRIMEIRO BISPO PRELADO DE SÃO
RAIMUNDO NONATO
Com a sede
da nova Prelazia vacante, a Santa Sé escolheu o primeiro
Prelado Nuliius na pessoa de dom Amadeo González Ferreiros, em
dezembro de 1962. Dom Amadeo nasceu em Sindrán, Monforte, Lugo,
Espanha, a 23 de junho de 1911. Ocupou vários cargos de
relevância na ordem mercedária até que foi nomeado bispo de
São Raimundo Nonato. Tomou posse na Catedral Prelacial, em
São Raimundo Nonato,
a 6 de maio de 1962, após uma grande recepção. Autoridades da
cidade foram a Remanso, na Bahia, para esperar o enviado de
Deus e, em caravana até São Raimundo, passaram pelos lugares
engalanados, ao longo da estrada de Remanso. Chegando a São
Raimundo, é recebido festivamente e, após, longos discursos do
Prefeito, sr. José de Castro, Ariston Dias e Pio Mendes, subiu
ao palanque, preparado para o evento, e celebrou a santa
missa.
No dia 24
de fevereiro de 1963 o Santo Padre, o Papa Paulo VI, o nomeou
primeiro bispo Prelado com o título de Mestre, sendo ordenado
na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, de Ramos, no Rio de
Janeiro, a 19 de maio de 1963. Por motivo de doença entregou o
cargo à Santa Sé em fevereiro de 1968. O seu governo na
Prelazia foi marcado pela ausência, devido ao desenlace do
Concilio Vaticano II do qual participou em Roma. Morreu na
Basílica mercedária de Santa Maria das Mercês, em Madri, no
dia 20 de março de 1995, e foi enterrado na cidade natal de
Sindrán, Espanha.
13. DOM
CÂNDIDO LORENZO GONZÁLEZ, SEGUNDO BISPO PRELADO E PRIMEIRO
BISPO DIOCESANO
Com a
renúncia de dom Amadeo foi escolhido para pastorear a Prelazia
de São Raimundo Nonato, dom Cândido Lorenzo González, nascido
a 23 de setembro de 1925, em Santa
Maria de Laroá, Ourense, Espanha. Quando foi escolhido bispo,
era superior na casa mercedária de Ramos no Rio de Janeiro. Foi
nomeado bispo pelo Papa Paulo VI, a 05 de dezembro de 1969,
com o título de Scardona. A ordenação foi na Igreja mercedária
de Ramos, a 19 de março de 1970, pelo Cardeal, de saudosa
memória, dom Jaime de Barros Câmara. No dia 5 de abril de 1970
tomou posse em São
Raimundo Nonato
com grandes festejos e a alegria desse povo simples e bom.
14. SÃO
RAIMUNDO NONATO É ELEVADA A DIOCESE
A nossa
Prelazia cresceu e organizou-se, e Roma achou por bem elevá-la
à categoria de Diocese, pelo Papa João Paulo II, com a Bula
“Institutionis Propósitum”, de 03 de outubro de 1981. Sendo o
primeiro bispo diocesano, dom Cândido Lorenzo González
permaneceu até o dia 17 de julho de 2002, em que dom Pedro
Brito Guimarães foi nomeado segundo bispo diocesano de São
Raimundo. Depois de sua ordenação, no dia 14 de setembro, dom
Cândido se torna bispo Emérito de São Raimundo Nonato, e
transferiu-se para Salvador, Bahia, onde permanece.
15. DOM
PEDRO BRITO GUIMARÃES, SEGUNDO BISPO DIOCESANO
Dom Pedro
Brito, do clero diocesano, é piauiense, natural de Eliseu
Martins. Homem humilde, guardião de uma vasta cultura e muitas
virtudes, é o primeiro bispo brasileiro desta Diocese,
anteriormente Prelazia de Bom Jesus do Gurguéia e de São
Raimundo Nonato. Padre Pedro Brito servia à Diocese de
Oeiras-Floriano quando foi indicado e depois nomeado, pelo
papa João Paulo II, para dirigir o rebanho da Diocese de São
Raimundo Nonato. Foi ordenado bispo no dia 14 de setembro de
2002 numa solenidade magnífica, no amplo recinto do Bosque das
Algarobas, nesta cidade, transformado, naquele momento, em
Templo do Senhor. A Diocese de São Raimundo Nonato, sob sua
direção, agregando 15 paróquias, comemora, neste ano, com
muita alegria o seu Jubileu de Prata.
16.
COMPROMISSO DE TODOS
A história
de nossa Diocese é muito rica e está sendo resgatada. Todos
nós somos testemunhas de fatos importantes da ação missionária
que presenciamos ou ouvimos relatos de nossos antepassados.
Cumpre a cada católico, engajado em grupos pastorais, dar
prosseguimento a este trabalho de registro da sua história,
que é também a nossa própria história. Não deixemos que o
trabalho da Igreja, em tempos remotos ou recentes, seja
olvidado, e sim que esteja sempre presente em nossa memória,
servindo de exemplo para aqueles que continuam a missão da
construção do Reino do Senhor aqui.
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