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O
ABC DOS GRUPOS DE REFLEXÃO
“Meus irmãos, minhas irmãs, queridos e
amados, minha alegria e minha coroa” (Fil 4,1)
Com certeza vocês estão
sabendo que, na última Assembléia Diocesana de Pastoral, os
172 delegados e delegadas, por maioria absoluta, escolheram
como Prioridade Pastoral Diocesana para perdurar até a
volta de Nosso Senhor Jesus Cristo, no fim dos templos, a
criação, a formação e a sustentação dos grupos
de Reflexão (GR) em todas as comunidades da nossa Diocese.
Prioridade, como a
própria palavra diz, significa aquilo que vem em primeiro
lugar, antes de tudo, que é mais falado, mais divulgado, mais
amado e mais posto em prática... Priorizar é dedicar e gastar
mais tempo, mais recursos humanos e materiais. Para não ser
prioridade somente no papel é preciso que os GR estejam
prioritariamente nas nossas mãos, nos nossos pés e nos nossos
corações, como o primeiro amor, a maior preocupação e
dedicação. Isso requer que eles sejam colocados, em primeiro
lugar, nas primeiras páginas das agendas, nos estudos, nos
encontros e nas orações.
Pergunta para o debate:
·
O que vocês devem fazer para que
esta Prioridade Diocesana saia do papel e chegue às ruas?
O QUE SÃO OS GRUPOS DE
REFLEXÃO
“ A Igreja que se reúne nas casas, saúdo efetivamente no
Senhor!” (1 Cor 16,19)
O nome de uma
pessoa ou de uma coisa tem o seu significado. Os GR, no
Brasil, são conhecidos por vários nomes, entre os principais:
“Círculos Bíblicos”, “Grupos de Família” “Missionários”,
“de Oração”, “de Vivência”, “CEBs”, Missão nas casas”...
Os participantes da Assembléia, depois de três dias de estudo,
partilha e oração, escolheram, também por votação, entre as
várias opções chamá-los, na Diocese, de Grupos de
Reflexão (GR). Esta nomenclatura é um verdadeiro
programa de vida dos GR: são “Grupos” porque
reúnem, congregam, convocam parentes, vizinhos e amigos; e são
de “Reflexão” porque refletem, pensam, estudam.
Fundados na
Trindade, na graça Pai, sendo Jesus Cristo, a pedra angular, e
o Espírito Santo, a argamassa, dos GR nasce uma Igreja
comunhão, cristocêntrica, pneumática, mariana e diaconal. Ser
GR é ter assimilado esta forma trinitária de a Igreja
ser, viver e agir. Uma das notas características dos GR
é reunir crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos,
homens e mulheres, que se aproximam religiosa, social e
afetivamente, muitas vezes, por laços de família; pessoas que
habitam nos centros e nos bairros das cidades ou nas zonas
rurais. Eles também se caracterizam por serem espaços para um
novo jeito de ser Igreja: “povo de Deus”, nas casas”,
“domestica”, “na base”, no chão da vida”, “da Palavra”,
“ministerial”, “missionária”. Portanto, sob esta
nomenclatura diversificada está uma realidade comum: pessoas
cristãs que se encontram, por no máximo uma hora, uma vez por
semana ou a cada quinze dias, para refletir a palavra de Deus,
rezar, conversar, dialogar e planejar ações no próprio grupo
ou na comunidade.
Os GR,
este novo chão onde a Igreja deve pisar, são a missão nas
famílias. A família é a primeira terra de missão dos GR. E
isso se dá a partir de quatro pés: oração, reflexão, ação e
confraternização. É o coração (a confraternização) que une
a oração e à ação. Na Diocese, a sua logomarca ou o seu
logotipo é o mosaico da galinha com seus pintinhos, encontrado
no Santuário do “Domingo Flevit” (“O Senhor chorou”
quando entrou em Jerusalém, cf. Mt 23,37). Mas cada grupo
deverá ter um nome próprio e específico, tirado da bíblia, da
realidade e da situação concreta da comunidade. Além do nome,
o grupo deverá ter também seu símbolo de identificação:
bandeira, escudo, hino etc.
Pergunta para o debate:
Que nomes
vocês vão dar aos Grupos de Reflexão que vocês irão criar?
OS PORQUÊS
E OS OBJETIVOS DOS GRUPOS DE REFLEXÃO
“Hoje a salvação entrou nesta casa” (Lc 19,9)
Tudo o que existe
na vida tem seus porquês e seus objetivos. Com
os GR não poderia ser diferente. Eles possuem muitos
porquês. Deus é Família, Comunidade, Comunhão. Moisés educou o
povo agrupando-o em doze tribos. Jesus fundou o grupo das doze
apóstolos. Paulo fundou as Igrejas nas casas. A Igreja hoje
tem esta mesma missão. Por isso, um dos primeiros porquês dos
GR é reunir e agrupar os dispersos, chegar aos
excluídos e afastados. Eles são espaços para a catequese
permanente, adulta e com adulto; são também verdadeiras
escolas de formação da fé e da vida; são ainda forças para as
pastorais, as Santas Missões Populares (SMPs), o dízimo, e
para as outras ações e serviços eclesiais; enfim, são meios
para que o evangelho entre nas casas e nas vidas das pessoas.
E seus objetivos
principais são: reunir cristãos e cristãs para rezar, celebrar
e ouvir a Palavra de Deus; conversar, dialogar, estudar e
refletir; planejar ações comuns no próprio Grupo, na
comunidade eclesial e na sociedade; fazer acontecer a Igreja
nas casas; garantir a presença do Evangelho na vida do povo;
formar grupos de vivência da fé e do amor cristão; aproximar a
Igreja de hoje às primeiras comunidades cristãs.
Assim os GR
contribuem para a renovação da identidade e da missão da
Igreja e preparar o chão da sua ação evangelizadora. Eles
contribuem também para criar na paróquia redes de comunidades:
comunidades em redes de grupos e grupos em redes de
comunidades. Eles ajudam a criar, na paróquia, um clima de
amizade, de fraternidade, de solidariedade e o espírito
evangélico da partida. Eles são remédios contra o vírus do
anonimato, do individualismo, do egoísmo, da indiferença
religiosa e do espírito religiosa e do espírito de competição.
Por meio dos GR busca-se formar discípulos e
missionários de Jesus Cristo e contribuir comunidades
comprometidas com Projeto de Jesus Cristo, onde se celebra a
fé vinculada com a vida cotidiana dos seus membros.
Pergunta para o debate:
·
Que objetivos vocês vão escolher para o Grupos de Reflexão de
vocês?
COMO FORMAR OS GRUPOS
DE REFLEXÃO
“Os apóstolos se reuniram junto de Jesus e lhe contaram tudo o
que tinham feito e ensinado” (Mc 6,30)
Fundar GR
é fácil. O difícil é mantê-lo vivo e funcionando. Costuma-se
dizer que a propaganda é a arma do negócio. Baseado nisso, a
primeira providência que devemos tomar para realizar esta
prioridade pastoral diocesana é divulgar, “vender” esta idéia
a todas as pessoas, em todos os lugares e por todos os meios:
reuniões, encontros, celebrações, homilias, murais e rádios...
Tudo começa com uma boa divulgação e com a conscientização.
Repetindo, não
basta criar, é preciso organizar, formar, sustentar, dar
condições para que eles funcionem. A experiência tem
demonstrado que tudo na vida só funciona bem quando há
organização. A organização dos GR é pensada em três
instâncias: comunidade, paroquiana e diocesana. As duas
primeiras instâncias são espaço da concretude dos GR.
Eles nascem, crescem e dão frutos nas comunidades paroquiais.
A ultima instância é a reflexão e de gerenciamento. A formação
dos GR acontece a partir dos próprios moradores de um
mesmo bairro ou rua. Os encontros, o ano todo, uma vez por
semana ou a cada quinze dias, não devem ultrapassar a uma
hora. As lideranças dos GR devem ser pessoas leigos,
comprometidas, apaixonadas pelas comunidades eclesiais. No
encontro prima-se pela partilha dos serviços e da voz. A
dinâmica dos encontros varia, de acordo com as habilidades e
as criatividades das lideranças, o número de participantes, o
tema a ser rezado e refletido. As relações dos membros dos
GR caracterizam-se pela simplicidade, pelo respeito mútuo
e pela amizade. Prima-se pela simplicidade da linguagem, dos
meios e da organização dos encontros. Os encontros seguem no
roteiro preestabelecido, a partir da diocese ou da paróquia,
do tempo litúrgico, celebrado pela comunidade. O método que os
GR seguem são quatro momentos: Ver, julgar, agir,
celebrar.
Para organizar os
GR, três decisões se fazem necessárias: a) Os GR
devem se tornar prioridade na paróquia, como todos os
atributos de uma prioridade já explicada a cima. b) Criar a
equipe paroquial dos GR. c) Mapear a área da paróquia
em Setores, Zonais, Comunidades Missionárias, ou outros
nomes. Setorizar e descentralizar a paróquia, a cidade, o
Bairro ou a grande comunidade rural em pequenos grupos de mais
ou menos 20 a 30 famílias, para facilitar a organização, a
oração e a evangelização das pessoas que ali residem, não
deixando ninguém de fora, sem ser atingido. A função do Setor
é fazer acontecer momentos de espiritualidade, de oração e de
reflexão da Palavra de Deus nas famílias. Os exemplos mais
conhecidos são: Ano Litúrgico, Novena de Natal, Encontros
Quaresmais, Meses de Maio,
Vocacional, da Bíblia, Missionário, do Rosário, Festa
do (a) Padroeiro (a). Além disso, as SMPs, momentos fortes
sócio-político-cultural da comunidade, aniversariantes do mês,
nascimento das crianças, bodas de casamentos, orações pelos
doentes, para pedir chuva etc, são terrenos férteis para
plantar, nascer, crescer e dar frutos os GR.
Pergunta para debate:
·
Como é que vocês organizar os Grupos de Reflexão de vocês?
COMO
SUSTENTAR OS GRUPOS REFLEXÃO
“Eles eram um só coração e uma só alma. Perseveravam no
ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do
pão e nas orações” (At 4,32..2,42)
Os GR
possuem uma estrutura muito simples, mais também muito frágil.
Criar uma pastoral ou um grupo é muito fácil. O difícil é
manter a chama que se acendeu quando da sua criação. Com a
mesma facilidade com eles são formados, podem morrer. Precisam
ser cuidados como se cuida de um jardim. Costuma-se chamar o
animador ou animadora dos GR de jardineiro (a). Como
tudo na vida os GR sobrevivem dessa dinâmica: acende-se
a luz, espalha-se esta chama e a protege, senão ela se apaga.
Plante essa semente e cultive, até dar frutos.
A mística e a
espiritualidade são o motor e o combustível que mantêm acesa a
chama dos GR. Mas o que sustenta os GR? Em
primeiro lugar é a criatividade dos animadores. Para não cair
na rotina, ficar sempre no mesmismo e cansar, é preciso ser
criativo. Em segundo lugar, são as visitas. Como nas SMPs, nos
GR a coisa mais importante são as visitas. Fazer das
visitas uma constante prática pastoral, eis o desafio. Em
terceiro lugar, são confraternizações como momentos de
partilha, alimento e crescimento dos GR.
Pergunta para o debate:
·
O que vão
sustentar os Grupos de Reflexão de vocês?
QUE FRUTOS
PRODUZEM OS GRUPOS DE REFLEXÃO
“Fui eu que nos escolhi e vos designei para que
produzais frutos e vosso fruto permaneça” (jo 15,16)
A experiência tem
demonstrado que os GR produzem muitos frutos. Entre
tantos, destacamos: a) Os GR contribuem com o crescimento
do conhecimento bíblico do povo. O livro principal é a
Bíblia. O centro do encontro dos GR é a leitura orante
da bíblia. A pesquisa sobre a Religiosidade do piauiense
revelou que, em geral, o povo lê pouco e mal a Bíblia. Só por
este fruto já seria suficiente para justificar a criação dos
GR. b) Os GR são canteiros de missionariedade:
filhos do Projeto Diocesano das SMPs, devem crescer e produzir
frutos de missões nas famílias: ir em busca, ao encontro, até
atingir os que estão afastados da comunidade. Os GR
transformam famílias, filhos, crianças, jovens, homens,
mulheres e vizinhos em irmãos, amigos e conhecidos. Nesta
missão, os afastados voltam ao convívio da comunidade. c)
Os GR contribuem, em muito, para a consciência e convivência
ecumênica: por serem “Igreja na rua”, quando os
evangélicos vêem os GR funcionando, também se
aproximam. d) Os GR renovam a paróquia: a sua estrutura
se transforma em redes de comunidade; surgem novas lideranças;
cresce a formação do povo; a catequese passa a ser permanente;
melhoram a dimensão missionária e a forma de celebrar. e)
Cresce a consciência da partilha e, conseqüentemente, do
dizimo: o dizimo é o chão natural onde pisam os GR.
Os membros dos GR passam a ser dizimistas. f) O povo
passa a ter, por causa da formação e da informação que recebe,
uma nova visão da Igreja. g) A formação permanente
do povo se dá nos GR. Eles passam a ser a escola de fé
e de vida, e espaço da sua formação. h) Os GR são
também canteiros de vocações, serviços e ministérios.
i) Os GR produzem, por fim, frutos do “amor social”:
atendimentos aos pobres, auxílios e remédios aos doentes,
aposentadorias, construção de casas, cestas básicas...fazem
parte da solicitude pastoral e do amor social dos GR.
Os GR sobrevivem destas quatro ações: oração,
reflexão, ação e confraternização. E o amor social
é uma de suas ações.
Concluindo. Para
os GR cai bem o que disse Fernando Pessoas: “De tudo
ficam três coisas: a certeza de que estamos começando, a
certeza de que é preciso continuar e a certeza de podemos ser
interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um
caminho novo. Fazer da queda um passo de dança. Do medo, uma
escola. Do sonho, uma ponte. Da procura, um encontro”.
Irmãos e irmãs,
louvemos a Deus pela vontade e pelo esforço de todos em favor
desta Prioridade Pastoral: criar, formar e a sustentar os
GR. Cuidem dos pintinhos. Acendam esta luz, espelhem esta
chama. Plantem esta pequenina semente no chão das comunidades
que, um dia, as aves do céu farão seus ninhos numa grande
árvore.
Pergunta para o debate:
·
Quais os frutos que os GR de vocês pretendem colher?
Tenho sede!
Dom Pedro Brito Guimarães,
Bispo de São Raimundo
Nonato
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