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A
CRUZ DA ROMARIA DA TERRA E DA ÁGUA E DO ANO EUCARÍSTICO MISSIONÁRIO

“Quando
lavava as mãos, escolhia um lugar aonde a água das abluções
não viesse a
ser calcada aos pés...dizia ao irmão da horta que
não ocupasse todo o terreno com plantas comestíveis, mas
deixasse parte para produzir plantas que, a seu tempo, dessem
as irmãs flores..., para que na estação própria convidassem os
homens ao louvor de Deus, porque toda criatura diz e clama:
foi deus que me criou por causa de ti, ó homem.” (São
Francisco de Assis, Legenda Perusiana, 51).
A inspiração
inicial é de São Francisco de Assis, o padroeiro da ecologia,
que nos ensina a louvar a irmã água e a irmã terra, e todas as
criaturas que nos falam do amor do nosso Pai do céu. Por isso,
a moldura da cruz é daquela cruz de São Damião, da qual São
Francisco ouviu a voz de Jesus: “Francisco, restaura a
minha igreja que está em ruínas”.
A cruz é o sinal
da rejeição de Deus, da destruição da vida, da morte do justo.
Mas, é também a “árvore da vida”, da vida doada por amor, é
fonte de vida nova, é o mundo recriado, é esperança e vitória.
A nossa cruz
mostra estes dois lados. No verso temos a terra destruída pelo
homem: a árvore seca, as cores do deserto, o peixe morto nas
águas que morreram, a caveira do animal que não encontra mais
vegetação para se alimentar, o balde d’água emborcado com um
resto de lama, o urubu que espera pela morte do último ser
vivo para depois morrer também. E no meio a famosa profecia do
padre Cícero que atribui a destruição catastrófica ao pecado
do homem. É a voz do profeta que chama à conversão, antes que
a tragédia aconteça.
O outro lado da
cruz é a mensagem da água, da qual nascemos, da fonte, da qual
bebemos, da vida que recebemos e ao irmão oferecemos.
Água é dom de
Deus. Cai do céu gratuitamente, é gota e gotas distribuídas na
terra: faz a vida nascer e evoluir. Também a água dos poços um
dia foi gota que caiu.
A grande gota
lembra o coração do Cristo crucificado, do qual correu sangue
e água, nasceu o povo da nova aliança. Toda transformação do
mundo ameaçado depende da fé neste Cristo sacrificado e
ressuscitado.
Rios de água viva
brotarão daquele que crê neste Deus encarnado, Jesus de
Nazaré. Ele sente a mesma sede de todos nós e pede água à
samaritana. Neste encontro no poço de Jacó, Jesus concentra
toda sua mensagem: “Quem crê em mim, nunca mais terá sede”. A
partir da fé em Jesus toda a sede do mundo se acaba, todo
desequilíbrio se supera, toda desigualdade desaparece. Essa
nova história começa naquele poço. Jesus não acompanha os
velhos preconceitos, ele começa com os excluídos e
discriminados: a mulher e os samaritanos, desclassificados
pela elite de Jerusalém.
No poço Jesus
explica: água tem que ser distribuída com justiça, isto é,
pelo critério que é a sede do irmão. Vemos jarro derramado
água nos copos. Será que todos os copos se enchem? Alguns não
estão cheios, até quase vazios. Isto porque falta água ou
porque não foi bem distribuída?
É preciso
aprender com o mesmo Jesus a derramar água sobre os pés dos
irmãos, humildemente servindo conforme o exemplo de Jesus.
Fome e sede, desigualdades e injustiças não desaparecem sem
que todos se convertam para servir a Jesus nós pequenos e
pobres. É preciso andar com os dois jarros: o jarro dos copos
e o jarro da bacia. Então poderá acontecer, como nas bodas de
Canaã: as seis talhas de água se transformam em vinho – o
milagre de Jesus na festa do amor é sinal de que Ele nos
trouxe vida e alegria, a festa da fartura.
São Francisco no
convida a ouvir o Cristo da cruz e restaurar a igreja e o
mundo em ruínas. Com ele proclamamos:
“Louvado sejas, meu
Senhor, pela irmã água; louvado sejas, meu Senhor, pela irmã
terra!”
Obras de (Pe.
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