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     04/06/2010
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 TENHO SEDE DE VER AS COISAS COMO SOU

 
 

       

Amado, amada de Deus, tenho sede de ver as coisas como sou!

Nós vemos as coisas, o mundo e as pessoas como nós mesmos somos. As nossas idéias, os nossos ideais, as nossas posições sociais são como lentes coloridas que filtram tudo o que estamos vendo. Tudo passa pelo filtro do nosso entendimento. Quem vive na dúvida duvida de tudo o que vê. Quem vive na descrença suspeita de todo ato de fé. Quem ama de maneira interesseira acha que todo amor é assim. Quem é racista, preconceituoso acha que todo mundo é assim. Quem é fofoqueiro ou politiqueiro, acha sempre motivo para falar mal dos outros. Quem torce por um determinado time ou por um determinado partido político só reconhece valores no seu time ou no seu partido. E assim por diante... É que vemos as coisas na nossa ótica, do jeito que somos.

Ouça, amado, amada de Deus, a ilustração desta minha sede: “certa vez, ao anoitecer, um agricultor sentou-se à frente de sua humilde casa para aproveitar do frescor da noite. Ali perto passava uma estrada que levava à cidade. Um homem passou por lá e, vendo o camponês sentado, pensou: “aquele homem deve ser bem folgado e preguiçoso. Fica aí sentado o tempo todo”. Em seguida, passou outro homem, também viu o agricultor e pensou: “veja o cara, fica aí olhando e incomodando as moças que passam. Deve ser um mulherengo”. Por fim, passou um terceiro homem, quando viu o agricultor pensou consigo mesmo: “aquele homem deve ser um trabalhador. Está merecendo o seu descanso”.

Três opiniões para um mesmo fato. Três pontos de vista para uma mesma pessoa. Três visões para uma mesma realidade. Quem era mesmo este agricultor? Quais dos três acertou? Quem estava com a razão? O que está por detrás disso?

Aquilo, amado, amada de Deus, que acabamos de dizer. A bem da verdade, não sabemos, ao certo, quem era o agricultor sentado à beira da estrada e não podemos dizer muito sobre ele. Não temos dados suficientes para isto. Agora, sobre os passantes sim, sabemos e podemos dizer muita coisa: o primeiro devia ser um preguiçoso, o segundo um mulherengo e o terceiro um trabalhador. Pois, nossos olhos são lentes potentíssimas que vê as coisas exatamente do jeito que somos. Não é verdade?

Um dia e fique com Deus!  

 

 

Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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