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     06/05/2010
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TENHO SEDE DA FLORESTA QUE CRESCE

 
 

 

Hoje estou aqui em Brasília e me lembrei que há ditado popular, cheio de verdade, que diz: “faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que cresce”. É pura verdade. Todos os dias, uma árvore cai. Mas todos os dias também cresce um floresta. A árvore que cai faz barulho, a floresta que cresce faz silêncio. Faz mais barulho uma arvore, por pequena que seja, que cai do que uma floresta que cresce. O que mais se ouve é o barulho da árvore que cai e não se ouve o silêncio da floresta que cresce.

Isto vale para todos os aspectos e as dimensões da vida humana: vale para as quedas da sociedade, como também vale para o seu crescimento; vale para as quedas das comunidades, como também vale para o seu crescimento; vale para as quedas da igreja, mas vale também para o crescimento. Quando alguém ou alguma coisa caem é uma tragédia. E quando crescem, o que é?

Os últimos e lamentáveis escândalos que se abateram sobre a igreja, a respeito do abuso sexual e da pedofilia de sacerdotes, deixou todos nós incomodados, atônitos, apavorados e envergonhados. A estes fatos podem se aplicar muito bem o princípio que estamos refletindo: “faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que cresce”. É que a queda de um irmão soa mais do que a caridade, o amor, a dedicação e fidelidade de muitos. O que está caindo não são apenas algumas poucas árvores? O que está crescendo não é uma floresta inteira? Por que então o som dos que caem soam mais do que o silencio dos que crescem? É algo para se refletir sobre este fato e sobre todos os outros exemplos que você conheça, amado, amado, de Deus.

Dom Odilo Scherer, cardeal de São Paulo, escreveu um artigo a este respeito que vale a pena destacar o quanto segue. Diz o cardeal: “A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados”.

Com toda certeza esta floresta que cresce fará menos barulho do que uma árvore que cai. Por isso, amado, amada de Deus, reflita hoje, ao menos, sobre este dito popular: “faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que cresce” e veja o que você pode fazer para não somente ouvir o barulho dos que caem, mas escutar e saborear o silencio dos que crescem.

De Brasília, o meu cordial e fraterno abraço. E fique com Deus.  

 

Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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