Hoje estou
aqui em
Brasília e
me lembrei
que há
ditado
popular,
cheio de
verdade, que
diz: “faz
mais barulho
uma árvore
que cai do
que uma
floresta que
cresce”.
É pura
verdade.
Todos os
dias, uma
árvore cai.
Mas todos os
dias também
cresce um
floresta. A
árvore que
cai faz
barulho, a
floresta que
cresce faz
silêncio.
Faz mais
barulho uma
arvore, por
pequena que
seja, que
cai do que
uma floresta
que cresce.
O que mais
se ouve é o
barulho da
árvore que
cai e não se
ouve o
silêncio da
floresta que
cresce.
Isto vale
para todos
os aspectos
e as
dimensões da
vida humana:
vale para as
quedas da
sociedade,
como também
vale para o
seu
crescimento;
vale para as
quedas das
comunidades,
como também
vale para o
seu
crescimento;
vale para as
quedas da
igreja, mas
vale também
para o
crescimento.
Quando
alguém ou
alguma coisa
caem é uma
tragédia. E
quando
crescem, o
que é?
Os últimos e
lamentáveis
escândalos
que se
abateram
sobre a
igreja, a
respeito do
abuso sexual
e da
pedofilia de
sacerdotes,
deixou todos
nós
incomodados,
atônitos,
apavorados e
envergonhados.
A estes
fatos podem
se aplicar
muito bem o
princípio
que estamos
refletindo:
“faz mais
barulho uma
árvore que
cai do que
uma floresta
que cresce”.
É que a
queda de um
irmão soa
mais do que
a caridade,
o amor, a
dedicação e
fidelidade
de muitos. O
que está
caindo não
são apenas
algumas
poucas
árvores? O
que está
crescendo
não é uma
floresta
inteira? Por
que então o
som dos que
caem soam
mais do que
o silencio
dos que
crescem? É
algo para se
refletir
sobre este
fato e sobre
todos os
outros
exemplos que
você
conheça,
amado,
amado, de
Deus.
Dom Odilo
Scherer,
cardeal de
São Paulo,
escreveu um
artigo a
este
respeito que
vale a pena
destacar o
quanto
segue. Diz o
cardeal: “A
Igreja é
como um
grande
corpo;
quando um
membro está
doente, todo
o corpo
sofre. O bom
é que os
membros
sadios,
graças a
Deus, são a
imensa
maioria!
Também do
clero! Por
isso, ela
será capaz
de se
refazer dos
seus males,
para dedicar
o melhor de
suas
energias à
Boa Notícia:
para
confortar os
doentes,
visitar os
presos nas
cadeias, dar
atenção aos
abandonados
nas ruas e
debaixo dos
viadutos;
para ser
solidária
com os
pobres das
periferias
urbanas, das
favelas e
cortiços;
ela
continuará
ao lado dos
drogados e
das vítimas
do comércio
de morte,
dos
aidéticos e
de todo tipo
de chagados;
e continuará
a acolher
nos
Cotolengos
criaturas
rejeitadas
pelos
“controles
de
qualidade”
estéticos
aplicados ao
ser humano;
a suscitar
pessoas,
como Dom
Luciano e
Dra. Zilda
Arns, para
dedicarem a
vida ao
cuidado de
crianças e
adolescentes
em situação
de risco; e,
a exemplo de
Madre Teresa
de Calcutá,
ainda irá
recolher nos
lixões
pessoas
caídas e
rejeitadas,
para lavar
suas feridas
e
permitir-lhes
morrer com
dignidade,
sobre um
lençol
limpo,
cercadas de
carinho.
Continuará a
mover
milhares de
iniciativas
de
solidariedade
em momentos
de
catástrofes,
como no
Haiti; a
estar com os
índios e
camponeses
desprotegidos,
mesmo quando
também seus
padres e
freiras
acabam
assassinados”.
Com toda
certeza esta
floresta que
cresce fará
menos
barulho do
que uma
árvore que
cai. Por
isso, amado,
amada de
Deus,
reflita
hoje, ao
menos, sobre
este dito
popular:
“faz mais
barulho uma
árvore que
cai do que
uma floresta
que cresce”
e veja o
que você
pode fazer
para não
somente
ouvir o
barulho dos
que caem,
mas escutar
e saborear o
silencio dos
que crescem.
De Brasília,
o meu
cordial e
fraterno
abraço. E
fique com
Deus.
Por Dom
Pedro Brito
Guimarães