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     08/07/2010
      Núcleo Diocesano de Comunicação - NDC
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TENHO SEDE DE DROGAS QUE NÃO MATAM

 
 

  

Amado, amada de Deus, tenho sede de drogas que não matam!

 

É muito comum, mais do que imaginamos, ver pessoas - homem, mulher, adolescente e até criança -, em casa, nas ruas e nos bares, ao redor de uma mesa cheia de bebidas alcoólicas e coberta por fumaça de cigarro. Quase todos os finais de semana, festas dançantes. Não há festas religiosas em que não haja festas profanas, de graça, à noite inteira, a céu aberto, de portas abertas, às vezes, patrocinadas como dinheiro público, com a conivência de gestores públicos. É comum, é hábito, é legal, é normal! Até aí, tudo bem! O problema é quando o abuso de drogas lícitas, como o fumo e a bebida alcoólica, cria dependência. Esta dependência que, às vezes, é motivo de piadas, deveria ser tratado com a merecida seriedade, pois, o álcool está incluído na relação de drogas que causam dependência e, em muitos casos, a própria morte.

O alcoolismo é doença e deve ser tratado como um problema de saúde pública. As tristes conseqüências do alcoolismo são bastante conhecidas: sérios danos para a saúde, acidentes de trânsito com grande número de vítimas fatais; acidentes de trabalho, violência doméstica, atingindo mulheres e crianças; brigas e homicídios. A cultura machista, aliada à propaganda, tem favorecido a iniciação sempre mais precoce dos rapazes no uso de bebidas alcoólicas, fazendo dos jovens as grandes vítimas do alcoolismo, muitas vezes, associado ao uso de outras drogas lícitas e ilícitas.

O alcoolismo tem causado muito sofrimento para os alcoólatras e para os seus familiares. Por causa de alcoolismo muitas lágrimas foram derramadas dos olhos de mães, esposas e filhos.

Hoje, cada vez mais, surgem tratamentos que possibilitam a desintoxicação e o controle do alcoolismo, levando as pessoas a uma vida saudável e feliz: medicamentos, terapias individuais, de grupo ou familiar, internação em clínicas e centros especializados, aconselhamento psicológico e espiritual.  Entre estas destacamos a AA (Alcoólicos Anônimos), a Pastoral da Sobriedade e o Amor Exigente.  Infelizmente a falta de informação e de formação, bem como a relutância em admitir a situação, em pedir ou aceitar ajuda, dificulta enormemente a superação do problema. A ajuda fraterna de familiares e pessoas amigas é fundamental na recuperação dos dependentes químicos.

  Estas entidades não-governamentais fazem a sua parte, o que e como pode. É preciso valorizar, divulgar e apoiar os esforços em favor da superação do alcoolismo. Mas é preciso chamar a atenção dos gestores públicos para a sua responsabilidade social na solução deste problema. Há necessidade de medidas preventivas, de cunho educativo e social; de controle rigoroso da venda de bebidas alcoólicas para menores; de aplicação da “lei seca”, coibindo o uso de álcool pelos motoristas; de eliminar bebidas alcoólicas da propaganda. Além disso, há necessidade de uma educação na família, na escola, na igreja e na sociedade de modo geral, para a vivência religiosa e o cultivo dos valores éticos capazes de vencer a dependência de álcool e trazer uma nova vida, inspirada na fé em Cristo.

As pastorais Familiar e da Juventude, a Catequese, os Grupos de Reflexão, a Missões e os Projetos: “A vida é Missão” e o “Bíblia nas mãos, no coração e pés na missão”, estão aí engavetados e acorrentados, enquanto as drogas andam soltas.

Isto, sem falar, amado, amada de Deus, nas drogas ilícitas, que estão dizimando pessoas e famílias inteiras.

Fica aí registrada a minha sede, como um grito de alerta!

Um bom dia e fique com Deus!

 

 

 Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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