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     10/08/2010
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TENHO SEDE DA CORAGEM DOS MÁRTIRES

 
 

          

Amado, amada de Deus, tenho sede da coragem dos mártires!

 

O mês de agosto é o mês vocacional. E durante toda esta semana celebra-se a Semana Nacional da Família e, com ela, a vocação da família e na família, na figura do pai. Mesmo não sendo um pai no sentido biológico, celebra-se hoje a festa de um pai na fé, o diácono são Lourenço. Lourenço foi martirizado na época do Imperador Valeriano, que quis arrancar para si o tesouro da igreja, a quem o valente diácono apresentou como sendo os pobres. Lourenço é espiritual e simbolicamente “o pai dos pobres”, como é invocado o Espírito Santo: “vinde, pai dos pobres, doador dos dons, luz dos corações”.

A propósito, há uma frase famosa, atribuída a Tertuliano, que diz: “o sangue dos mártires é sementeira de cristãos”. No sentido desta sabedoria de Tertuliano é que a vocação cristã nasce em uma terra banhada, lavada, regada e fecundada pelo sangue dos mártires, a começar pelo sangue de Jesus. A Igreja do primeiro milênio nasceu do sangue dos mártires, como vimos na fase que declinamos há pouco: “sangue de mártires é semente de cristãos”. A este respeito, disse o papa João Paulo II: “os acontecimentos históricos relacionados com a figura de Constantino Magno nunca teriam podido garantir um desenvolvimento da Igreja como o que se verificou no primeiro milênio, se não tivesse havido aquela sementeira de mártires e aquele patrimônio de santidade que caracterizaram as primeiras gerações cristãs. No final do segundo milênio, a Igreja tornou-se novamente Igreja de mártires. As perseguições contra os crentes - sacerdotes, religiosos e leigos - realizaram uma grande sementeira de mártires em várias partes do mundo. O seu testemunho, dado por Cristo, até ao derramamento do sangue, tornou-se patrimônio comum de católicos”.

Nos mártires, amado, amada de Deus, a Igreja presta suprema honra ao próprio Deus; nos mártires, ela venera Cristo, que está na origem do seu martírio e sua santidade. Por isto, a maior homenagem que todas as Igrejas prestarão a Cristo, no limiar do terceiro milênio, será a demonstração da presença onipotente do Redentor, mediante os frutos de fé, esperança e caridade em homens e mulheres de tantas línguas e raças, que seguiram Cristo nas várias formas da vocação cristã.

Neste dia de são Lourenço, aceite, amado, amada de Deus, um abraço e um beijo na sua família.

Um bom dia e fique com Deus.

 

 Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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