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     12/08/2010
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TENHO SEDE DE MARGARIDA

 
 

          

Amado, amada de Deus, tenho sede de Margarida!

 

Margarida, além de ser nome de uma variedade de plantas, de flores, de mulheres e de empresas, é também nome de uma brincadeira de roda. Quem não conhece bem-me-querer, mal-me-quer, bonina? Quem já não cantou: “apareceu a Margarida, olê, olê, olá. Apareceu a Margarida, olê, seus cavaleiros?”.

Neste mês vocacional e nesta Semana Nacional da Família, amado, amada de Deus, é justo que eu preste homenagem, com esta minha sede, a um tipo de planta, de flor e de dança. Mas a minha sede não é de nenhuma destas margaridas e sim de Margarida Alves, uma mulher, trabalhadora rural, líder sindical, que morreu barbaramente assassinada, com um tiro certeiro, em 1983, na Paraíba, diante do seu filho de apenas10 anos de idade. Margarida morreu por lutar contra o poder dos latifundiários da sua época.

Margarida, uma flor pisada e esmagada em pleno chão; Margarida, uma vida ceifada pelos conflitos do campo; Margarida, uma vida doada pelos ideais de justiça; Margarida, uma mulher simples, da roça, com um gesto de tamanha grandeza...

         De Margarida Alves, amado, amada de Deus, ficaram muitas recordações que nem a memória do tempo conseguirá apagar. Uma dela é a marcha das mulheres trabalhadoras, chamada acertadamente de: “marcha das margaridas”. Mas o seu maior legado, além do seu martírio, é esta frase atribuída a ela: “é melhor morrer na luta do que morrer e fome”.

É verdade, amado, amada de Deus, o melhor é viver. Mas se não for possível, “é melhor morrer na luta do que morrer e fome”. Morrer de fome não, nunca mais.

Um bom dia e fique com Deus!

 

 

 Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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