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     13/05/2010
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TENHO SEDE DE NEGRITUDE

 
 

         Termina hoje, em Brasília, a 48ª Assembleia da CNBB, e hoje também começa o 16º Congresso Eucarístico Nacional. Como tenho feito todos os dias, hoje também, aqui de Brasília, o meu abraço para você e sua família, agradecido por estarmos, mesmo distantes, unidos na mesma fé, amor e amizade. Obrigado.

Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima e dia da abolição da escravidão no Brasil. Como é costume dizer: a abolição não libertou da escravidão. Há ainda muitas marcas e feridas abertas, difíceis de serem cicatrizadas.

Mas, amado, amada de Deus, a língua portuguesa possui palavras bonitas e pouco usadas na linguagem coloquial. Uma delas é a palavra negritude. De origem francesa esta palavra serve para exaltar os valores das culturas da raça negra. Como estamos de malas prontas para a copa do mundo, desta feita, pela primeira vez a ser realizada no Continente Africano, e como estamos comemorando hoje o dia da abolição da escravatura, é de bom alvitre usar esta expressão minha sede para exaltar a beleza da raça negra.

De racismo e de preconceito por conta de sua cor, acho que todo negro já sofreu. E se você ainda não sofreu preconceito, se prepare para sofrer. Embora seja crime e dê cadeia, não incomum ouvir piadas de mau gosto que ofende a todo um povo, somente por causa da sua cor. Fora da cor da pele não há diferença entre branco e negro. Aliás, dizem que não existe raça, pois, somos todos iguais, filhos de Adão e Eva, com pele branca ou negra. Mas convencer a quem foi formado na escola da discriminação e do preconceito raciais não se constitui tarefa fácil.

Em homenagem ao povo negro, mais do que falar, hoje quando estiver no altar da eucaristia, na abertura do 16º Congresso Eucarístico Nacional, vou colocar você, amado, amada de Deus, negro u branco, moreno ou mestiço, na patena e no cálice. Este Congresso Eucarístico que tem como tema: “Eucaristia, pão da unidade dos discípulos missionários”, e como lema: “fica conosco, Senhor!”, é um convite para refletirmos sobre a unidade quebrada com o advento do pecado original e social, piorado com a escravidão. O pão eucarístico gera a unidade rompida e perdida com a escravidão. Na eucaristia aprende-se a lição que, embora sejamos muitos e diferentes, formamos um só corpo. A eucaristia nos une no só corpo o que a história separou e dividiu.

De Brasília, o meu grito de alerta: “livres e iguais” – para todos. Um bom dia e fique com Deus.

Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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