Amado, amada
de Deus,
tenho sede
de índios
Olhando o
calendário
civil do dia
de hoje, me
deparei com
um dia pouco
conhecido e
pouco
comemorado
entre nós:
hoje é o
dia do
índio.
Até porque
temos pouco
a comemorar.
O dia do
índio foi
criado por
Getúlio
Vargas, em
1943. Mas
como diz uma
famosa
canção
brasileira:
“os índios
hoje só tem
o dia
dezenove de
abril”. Nada
mais, nada
menos. Por
isso esta
minha sede:
tenho sede
de índios.
A presença
visual do
índio foi
arrancada, à
força, do
meio de nós.
Muita gente
hoje nunca
viu um
índio, não
sabe a sua
cor, como
vive, o que
pensa, como
se veste,
como crê...
Ficou pouco,
muito pouco
para o muito
o que eles
representam
para a nossa
cultura.
Quando os
portugueses,
aqui
desembarcaram,
imagine,
amado, amado
de Deus, a
surpresa aos
ver os
índios com
os trajes em
que
nasceram.
Imagine
também a
surpresa dos
índios ao
verem pela
primeira vez
um branco
vestido de
europeu...
Os
historiadores
dizem que
foi uma cena
apocalíptica,
típica dos
filmes de
suspense e
de terror.
Você sabe,
amado, amada
de Deus, o
que ficou
como herança
dos nossos
índios? Você
sabe quais
são as
heranças
indígenas no
nosso
dia-a-dia?
São muitas,
muito mais
do que
imaginamos,
difíceis de
ser
enumeradas
uma a uma.
Mas as
principais
heranças
culturais
indígenas,
no campo
da
alimentação,
são:
mandioca,
milho,
guaraná,
pamonha,
canjica, mel
de abelha,
tapioca,
beiju,
mingau,
pirão...;
nos
costumes:
música,
dança,
dormir na
rede,
plantar
mandioca e
milho, tomar
banho
diário,
pescar,
caçar...;
nos objetos:
rede, casa
de palha e
de taipa,
canoa,
armadilhas
para caça e
pesca, pote,
cerâmica,
bolsas,
cestos,
balaio,
peneira de
palha, de
cipó e de
fibra...;
no
vocabulário:
Piauí, caju,
abacaxi,
goiaba,
tatu, capim,
cipó,
mandacaru,
Iracema,
Jurema,
Indiara...Isto
sem contar
as crenças
religiosas.
O índio não
desmata, não
queima, não
polui e nem
destrói a
natureza. A
imagem que
os
portugueses
criaram dos
índios era a
de homem que
caça sem
cães, pesca
sem anzóis e
planta sem
enxada. Uma
coisa eles
tem muito a
nos ensinar:
viver em
harmonia com
o meio
ambiente.
Outros
elementos a
ser
considerados:
o conceito
de família,
de grupos,
de tribo, de
aldeia, de
associação,
de senso
comunitário...
Se você
quiser
conferir
tudo isto e
muito mais o
que estou
lhe dizendo,
amado, amada
de Deus,
faça uma
visita ao
Museu do
Homem
Americano e
aos sítios
arqueológicos
entorno da
Serra da
Capivara. Lá
você verá o
quanto era
rica e
variada a
cultura
indígenas,
deixada de
presente e
de herança
para as
gerações
futuras. E
faça o seu
exame de
consciência
nestes
termos: como
foi possível
matar todo
um povo,
extirpar
suas
culturas,
esquecer
suas
verdades e
seu valores?
Se fizeram
com eles, o
que não
farão
conosco?
Por Dom
Pedro Brito
Guimarães