Hoje é dia
de são João:
dia de festa
e de
alegria, dia
de fogueira
e de
folguedo, de
arraiá e de
quadrilha,
de pamonha e
de quentão,
de aluá e de
boi bumbá.
Nesta nossa
região o
bumba-meu-boi
não é muito
tradicional.
Mas faz
parte do
folclore
brasileiro,
nordestino
e,
particularmente,
piauiense.
Quem não
sabe cantar
a modinha:
“o meu boi
morreu, o
que será de
mim? Manda
buscar
outro,
maninha, lá
no Piauí”.
O
bumba-meu-boi,
do ponto de
vista
teatral,
deriva da
tradição
medieval
portuguesa e
espanhola. O
enredo da
dança do
bumba-meu-boi
resgata uma
história
típica das
relações
sociais e
econômicas
da região
nordestina
durante o
período
colonial,
marcada pela
monocultura,
a criação
extensiva de
gado e a
escravidão.
A essência
desta lenda
é a sátira,
o drama, a
tragédia e a
comédia
entre a
fragilidade
do homem e a
força do
boi. A lenda
do
bumba-meu-boi
tem como
artistas
principais a
mãe Catirina,
o pai
Francisco ou
Mateus e o
boi. Fazem
parte do
elenco: o
dono do boi,
amo, as
pastorinhas,
o padre, o
doutor, a
burrinha, o
jaraguá, a
caipora, os
índios, os
escravos, o
vaqueiro e
tantos
outros
bichos e
gentes,
dependendo
da região.
Ao
espalhar-se
pelo país o
bumba-meu-boi
adquiriu
vários
nomes,
vários
ritmos,
várias
formas de
apresentação,
indumentárias,
personagens,
instrumentos,
adereços e
temas. Desta
forma,
enquanto no
Maranhão,
Piauí, Rio
Grande do
Norte e
Alagoas é
chamado de
bumba-meu-boi,
no Pará e no
Amazonas é
chamado de
boi-bumbá;
em
Pernambuco é
boi-calemba;
no Ceará e
no Espírito
Santo é
boi-de-reis;
na Bahia é
boi-janeiro;
no Paraná e
Santa
Catarina é
chamado de
boi-de-morão;
em Minas
Gerais e no
Rio de
Janeiro é
chamado de
folguedo-do-boi;
no Rio
Grande do
Sul é bumba;
e em São
Paulo é
chamado de
boi-de-jacá.
Diz a lenda
que numa
fazenda de
gado,
Catirina,
grávida,
desejou
comer a
língua do
boi de
estimação do
seu patrão.
Francisco
rouba ou
mata este
boi, para
satisfazer o
desejo da
esposa
grávida.
Quando
descobre o
sumiço do
animal, o
senhor fica
furioso e,
após
investigar
entre os
escravos e
índios,
descobre o
autor do
crime e
obriga pai
Francisco a
trazer o boi
de volta.
Nesta
altura, há
toda uma
cantilena de
lamentação
por causa da
morte deste
boi: “o meu
boi morreu,
o que será
de mim,
manda buscar
outro,
maninha, lá
no Piauí”.
Pajés e
curandeiros
são chamados
para salvar
o escravo. E
quando o boi
ressuscita
há uma
enorme festa
para
comemorar o
milagre. No
fim, tudo
acaba em
festa. E que
festança!
Há uma
controvérsia
para saber
de onde
originou o
bumba-meu-boi.
O Maranhão
quer ser o
pai da
criança, ou
melhor, do
boi. Não tem
problema.
Mas como
ouvimos na
cantiga:
“o meu boi
morreu...”
onde vão
buscar
outro? No
Piauí.
Segundo
alguns
historiadores
o nome Piauí
deriva de
uma raça de
boi. O Piauí
é a origem
do boi, do
boi bumbá,
do
bumba-meu-boi.
Afinal, o
Piauí é a
terra da
boiada.
Diz, por
fim, a lenda
que quem
paga
promessa
dançando o
bumba-meu-boi
recebe as
graças de
São João, de
Santo
Antonio e de
São Pedro.
Uma boa dica
para este
dia de são
João: dançar
e, ainda por
cima,
receber uma
graça. É
tudo o que
precisamos!
Um bom dia e
fique com
Deus!
Por Dom
Pedro Brito
Guimarães