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     24/06/2010
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TENHO SEDE DE BUMBA-MEIO-BOI

 
 

 

Hoje é dia de são João: dia de festa e de alegria, dia de fogueira e de folguedo, de arraiá e de quadrilha, de pamonha e de quentão, de aluá e de boi bumbá. Nesta nossa região o bumba-meu-boi não é muito tradicional. Mas faz parte do folclore brasileiro, nordestino e, particularmente, piauiense. Quem não sabe cantar a modinha: “o meu boi morreu, o que será de mim? Manda buscar outro, maninha, lá no Piauí”.

O bumba-meu-boi, do ponto de vista teatral, deriva da tradição medieval portuguesa e espanhola. O enredo da dança do bumba-meu-boi resgata uma história típica das relações sociais e econômicas da região nordestina durante o período colonial, marcada pela monocultura, a criação extensiva de gado e a escravidão. A essência desta lenda é a sátira, o drama, a tragédia e a comédia entre a fragilidade do homem e a força do boi. A lenda do bumba-meu-boi tem como artistas principais a mãe Catirina, o pai Francisco ou Mateus e o boi. Fazem parte do elenco: o dono do boi, amo, as pastorinhas, o padre, o doutor, a burrinha, o jaraguá, a caipora, os índios, os escravos, o vaqueiro e tantos outros bichos e gentes, dependendo da região.

Ao espalhar-se pelo país o bumba-meu-boi adquiriu vários nomes, vários ritmos, várias formas de apresentação, indumentárias, personagens, instrumentos, adereços e temas. Desta forma, enquanto no Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Alagoas é chamado de bumba-meu-boi, no Pará e no Amazonas é chamado de boi-bumbá; em Pernambuco é boi-calemba; no Ceará e no Espírito Santo é boi-de-reis; na Bahia é boi-janeiro; no Paraná e Santa Catarina é chamado de boi-de-morão; em Minas Gerais e no Rio de Janeiro é chamado de folguedo-do-boi; no Rio Grande do Sul é bumba; e em São Paulo é chamado de boi-de-jacá.

Diz a lenda que numa fazenda de gado, Catirina, grávida, desejou comer a língua do boi de estimação do seu patrão. Francisco rouba ou mata este boi, para satisfazer o desejo da esposa grávida. Quando descobre o sumiço do animal, o senhor fica furioso e, após investigar entre os escravos e índios, descobre o autor do crime e obriga pai Francisco a trazer o boi de volta. Nesta altura, há toda uma cantilena de lamentação por causa da morte deste boi: “o meu boi morreu, o que será de mim, manda buscar outro, maninha, lá no Piauí”. Pajés e curandeiros são chamados para salvar o escravo. E quando o boi ressuscita há uma enorme festa para comemorar o milagre. No fim, tudo acaba em festa. E que festança!

Há uma controvérsia para saber de onde originou o bumba-meu-boi. O Maranhão quer ser o pai da criança, ou melhor, do boi. Não tem problema. Mas como ouvimos na cantiga: “o meu boi morreu...” onde vão buscar outro? No Piauí. Segundo alguns historiadores o nome Piauí deriva de uma raça de boi. O Piauí é a origem do boi, do boi bumbá, do bumba-meu-boi. Afinal, o Piauí é a terra da boiada.

Diz, por fim, a lenda que quem paga promessa dançando o bumba-meu-boi recebe as graças de São João, de Santo Antonio e de São Pedro. Uma boa dica para este dia de são João: dançar e, ainda por cima, receber uma graça. É tudo o que precisamos!

Um bom dia e fique com Deus!

 

 Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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