Imagino
quantos sons
ouviremos ao
longo das
festividades
de São
Raimundo:
sons das
propagandas
das lojas e
dos
comércios,
sons dos
carros de
propagandas
eleitorais,
sons das
bandas que
animam as
festas
dançantes e
sons de
particulares.
Em meio a
tantos
poderosos e
potentes
sons, São
Raimundo se
torna,
sobretudo,
neste
período, a
cidade dos
sons, mais
para barulho
e poluição
sonora do
que outra
coisa.
Contudo,
amado, amada
de Deus, há
um som que
precisa ser
mais ouvido
e com mais
gosto: o som
dos velhos e
surrados
sinos da
catedral. Os
sinos, tão
antigos
quanto a
civilização
e a igreja,
desde meados
dos séculos
IV e V,
estão nas
torres das
nossas
igreja para
falar aos
corações,
acordar quem
está
dormindo e
convidá-lo à
vigilância e
à oração. Os
sinos se
constituem,
por assim
dizer, em um
dos
primeiros
veículos de
comunicação,
antigo e
novo, que a
igreja
dispôs e
adotou para
se comunicar
com seus
fieis.
Embora
estejamos na
era da
cibernética,
da
informática
e da
comunicação,
esta
linguagem
milenar
ainda não
perdeu a sua
validade.
O poeta
Fernando
pessoa,
assim se
expressava,
ao falar do
sino da sua
aldeia:
“Ó
sino da
minha
aldeia,
dolente na
tarde calma,
cada tua
badalada
soa dentro
da minha
alma. E é
tão lento o
teu soar,
tão como
triste da
vida, que já
a primeira
pancada tem
o som de
repetida.
Por mais que
me tanjas
perto,
quando
passo,
sempre
errante, és
para mim
como um
sonho,
soas-me na
alma
distante. A
cada pancada
tua,
vibrante no
céu aberto,
sinto mais
longe o
passado,
sinto a
saudade mais
perto”.
Sino, um
simples
instrumento
acústico,
feito de
bronze, com
badalo ou
martelo,
fala, toca e
se comunica,
anunciando
alegres
festas ou
tristes
funerais. Em
seus
repiques e
dobrados
clamam aos
céus e aos
ouvidos
humanos,
falam de
alegrias e
agonias,
festas ou
funerais, de
alegrias ou
de dores.
Mas, num ou
noutro caso,
sua
comunicação
traz benção
e bons
fluidos e
efeitos
espirituais.
No dizer do
Mons.
Jean-Joseph
Gaume
(1802-1879),
célebre pela
sua ciência
teológica:
“Como todas
as grandes e
belas
coisas, é à
Igreja que
devemos o
sino. O sino
nasceu
católico,
por isso a
Igreja o ama
como a mãe
ama o seu
filho. Ela
benze o
metal de que
é feito.
Logo que ele
veio ao
mundo, a
Igreja o
batizou e
fez dele um
ente
sagrado. Com
razão,
porque o
sino é
destinado a
cantar tudo
o que há de
santo e de
santificante
na terra e
no céu,
pelas
orações e
cerimônias
que o
acompanham.
Daí a sua
missão
positiva. A
sua voz
proclama os
grandes
mistérios do
Cristianismo,
aumenta a
devoção dos
cristãos,
para cantar
novos
cânticos na
assembléia
dos santos e
convida os
anjos a
tomar parte
nos seus
concertos. O
sino fará
tudo isto,
porque esta
missão lhe é
confiada em
nome
d'Aquele que
possui todo
o poder no
céu e na
terra. Cada
badalada faz
retinir ao
longe os
dois
mistérios de
morte e de
vida - alpha
e ômega -
mistérios
necessários
para
orientar a
vida do
homem,
consolar as
suas
esperanças.
Daí vem,
amado, amada
de Deus, um
fato pouco
notado: o
amor dos
verdadeiros
filhos da
Igreja ao
sino, e o
ódio que lhe
têm os
inimigos de
Deus. (...)
Este
incontestável
poder do
sino contra
os demônios
do ar
justifica a
virtude que
ele goza, de
dissipar os
ventos e as
nuvens, de
afugentar
diante de si
o granizo e
o raio, de
conjurar as
tempestades
e os
elementos
desencadeados,
pois que
todas essas
perniciosas
influências
da atmosfera
provêm muito
menos de
coisas
naturais do
que da
maldade
desses
gênios
maléficos.
Nossos pais,
na hora do
perigo,
faziam ouvir
ao Pai
Celeste, ao
som dos
sinos, seu
primeiro
grito de
alarme. O
Senhor não
permanecia
muito tempo
insensível à
voz do seu
povo. A
corda que
serve para
tocar o
sino, essa
corda que
sobe e desce
sem cessar,
indica o
trabalho do
pregador, e
é também
imagem da
nossa vida”.
Na
realidade,
amado, amada
de Deus, não
basta o sino
tocar. São
Paulo, na
sinfonia ao
amor, no
hino da
caridade,
diz que se
eu não tiver
amor serei
como um sino
de bronze
que soa em
vão. E você,
amado, amada
de Deus, que
sino está
ouvindo? E
como está
toando o
sino de sua
vida!
Um dia e
fique com
Deus!
Por Dom
Pedro Brito
Guimarães