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     27/08/2010
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TENHO SEDE DAS LÁGRIMAS DE MINHA MÃE

 
 

  

Sou órfão de pai e de mãe. Talvez, por isto, tenha me lembrada das lágrimas de minha mãe, por ser hoje o dia da festa de santa Mônica, mãe de santo Agostinho. É muito comum ouvir desabafo de pais e de mães que, na difícil arte de educar, chorarem por seus filhos e filhas rebeldes e quase pagãos. Choram, sofrem, cuidam, perdem, riem, recomeçam, perdoam...!

Santa Mônica, mãe de santo Agostinho, teve muita dificuldade de exercer esta sua missão. Mulher inteligente e determinada, convicta e fervorosamente católica, forte na fé e na vida de oração, casou-se com um homem pagão e gerou filhos quase pagãos. Com poucas palavras, com muitas orações e com muitas lágrimas conseguiu domar a fera e transformá-la em um verdadeiro cristão, um dos maiores santos, por sinal.

Ao cumprir esta nobre missão, quando estava no leito de morte, disse: “a minha maior alegria foi ver, antes de morrer, o meu filho “cristão católico”. O próprio Santo Agostinho diz que sua mãe: “que pela carne, concebeu seu filho para a vida temporal mas, pela fé e o coração, o fez nascer para a vida eterna”.

Com esta minha sede, amado, amada de Deus, estou aqui me recordando de tantas mães fortes, heroínas, santas, mártires que trazem consigo uma força e um instinto extraordinários, que se lançam na aventura sublime de educarem seus filhos até às últimas conseqüências.

 “Amar até doer”, dizia Madre Teresa de Calcutá! Talvez seja a única palavra que mais defina a vocação sublime de ser mãe! A mãe é ponte por onde se “passa do nada (ex nihilo) para a claridade desta vida, dom de Deus”. Quando o filho nasce a “mãe começa a morrer” porque fará da sua vida uma plena doação, esquecimento de si, renúncia, heroísmo e altruísmo. O que seria de muitos de nós se a nossa mãe não tivesse sido “salvação”, âncora, bússola, força, estímulo, esperança? Muitas delas trazem consigo uma força e um instinto extraordinários. Não é este o maravilhoso testemunho de Santa Mônica para com o seu filho Santo Agostinho? Dia e noite ela rogou de joelhos ao Senhor, durante vinte anos, que o chamasse para o seu círculo de bem-aventurados. Chorou intensamente a Deus pelos erros do filho. Um dia Mônica foi procurar Santo Ambrósio em lágrimas, bispo da sua Cidade, depois de receber suas recomendações uma primeira vez, e lhe pediu ajuda para conduzir Agostinho para a Igreja. Respondeu-lhe o servo de Deus: “vá e viva em paz, pois, é impossível que possa perecer um filho de tantas lágrimas”. Ela acreditou serem estas palavras voz de Deus, e delas não abriu mão (cf. Santo Agostinho. Confissões, III,11.12). 

Ah! Como tenho saudade dos conselhos de minha mãe! Como tenho saudade de suas lágrimas pela minha conversão! As lágrimas de santa Mônica, como de resto, as lágrimas de nossas mães são as lágrimas de Deus, chorando pela nossa conversão. Enquanto nós não nos convertermos Deus não para de chorar.

Um bom dia e fique com Deus!

 

 

 Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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