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     30/04/2010
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 TENHO SEDE DE TRABALHADORES RURAIS

 
 

A situação hostil do clima do semi-árido, associado à escassez de chuva e de água, a falta de energia elétrica, de estrada, de implementos agrícolas e insumos, a falta de políticas publicas voltadas ao homem do campo, constituem um conjunto de elementos que contribuem para a miséria, a sede, a fome, as doenças e a pobreza rural. Viver da agricultura na nossa região é um verdadeiro milagre. Como milagre não acontece todo dia, o homem, a mulher do campo planta muito e colhe pouco, trabalha muito e come pouco. O trabalhador rural é a classe mais pobre da nossa região.

O trabalho da roça sempre foi considerado um trabalho inferior, desprezível e degradante. Parece castigo. Quem não tem vocação ou capacidade para outra profissão termina na roça. Bom mesmo é trabalhar na empresa, na fábrica, no escritório.

Mas, amado, amada de Deus, todo trabalho é digno. A profissão de agricultor, amado, amada de Deus, é tão digna quanto as outras profissões urbanas. Apesar de desprezado e discriminado, ninguém vive sem o homem do campo. A vida saudável começa na mesa. E a mesa da vida saudável começa no campo pelo trabalhador rural. A saúde começa na mesa. E a mesa da saúde começa no campo pelo trabalhador rural. Se o campo não planta a cidade não almoça e não janta. A terra dá se a gente plantar, se a gente não planta a terra não dá. Neste sentido, a enxada é tão digna tanto quanto a caneta, o bisturi, a tesoura.

Poucos reconhecem e valorizam o homem e a mulher da roça. Não é preciso ser filho de doutor, o homem do campo também tem valor. Muitas vezes o homem do campo só é lembrado em épocas de eleições e só é valorizado pelo título de eleitor. A história de Caim e Abel é bastante ilustrativa neste sentido. Por ser pecuarista a oferta de Abel foi aceita, enquanto que a oferenda de Caim, que era agricultor, não foi bem vista por Deus. Neste contexto é apresentado o primeiro crime da história da humanidade. Será por que Caim era um pequeno agricultor e não grande pecuarista que ele matou seu irmão? Não creio!

    Contei, recontei e fiz a conta e descobri que a maioria do povo da minha diocese, confiado ao meu pastoreio, é agricultor. Por isto este I Congresso é um gesto de boa vontade, uma forma de acolhida, de respeito e responsabilidade missionária para com esta maioria.  O que é certo é que temos uma divida social e religiosa muito grande a pagar aos trabalhadores e trabalhadoras do campo. Com pastor de um povo agricultor, eu acolho, você, agricultor e agricultora, com o beijo e abraço da paz.

Por isso, obrigado ao homem do campo. Bem-vindos e bem-vindas, trabalhadores e trabalhadoras rurais. Um bom dia e fique com Deus.

 

Por Dom Pedro Brito Guimarães

 

 
 

DOM PEDRO BRITO GUIMARÃES

BISPO DIOCESANO

 

 

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